Despreocupações

 

Sou um cara de algumas preocupações. Mas o objetivo dessa epístola é repartir com vocês algumas coisas que eu não me preocupo mais. No passado já me preocupei com muitas delas, mas o tempo, Eclesiastes e algumas decepções se encarregaram de me tirar este fardo. Pra que escrever isso? Só pra esclarecer algumas boas pessoas, bem intencionadas que, às vezes, chegam até mim, dispostas a me conduzir como um filho pródigo de volta aos antigos palcos institucionais, como se eu acreditasse nessa de “restitui, eu quero de volta o que é meu.”

Não me preocupo mais em agradar. Nem a homens, nem a Deus (via Paulo Brabo na sua Bacia das Almas). Os primeiros porque, na tentativa de agradá-los, muitas vezes, não fui sincero comigo, não fui eu, deixei de viver porque alguém ficaria escandalizado, irritado, contrariado, e eu, como um bom moço, deveria fazer de tudo para não contrariar a opinião do ungido, do homem de Deus, daquele que detinha o poder eclesiástico e que muitas vezes só tinha uma profunda sede pelo poder, gostava de ter seu ego amaciado, cheio de motivos pessoais bem escondidos e algumas noites mal resolvidas.

Deixei de tentar agradar a Deus pelo fato de descobrir que isso é tarefa impossível e que se não for pela Graça dEle, todas as tentativas minhas de agradá-lo serão em vão. Até porque, muita coisa que me ensinaram a fazer pra agradá-lo, na verdade era pra agradar a turma do parágrafo anterior. Covardes.

Por isso, não me preocupo mais se eu não tocar guitarra e cantar numa igreja, não me preocupo mais se tem alguém tocando no meu lugar e se ele toca melhor/igual/pior que eu. Não me preocupo mais se me elogiam de desviado, rebelde, ingrato, incrédulo ou de herege; se eu toco num festival frequentado por pecadores e se a música que eu toco não é evangelizadora o bastante, não me preocupo mais com a opinião de quem se acha portador da Verdade Suprema e Infalível, não me preocupo mais em duvidar, não me preocupo mais em defender Deus de quem o ataca – Ele é maior de idade, sabe fazer isso muito bem quando quer. Não me preocupo mais em adquirir a Xerox (pirataria) da apostila “Como Refutar Biblicamente as Testemunhas de Jeová”, não me preocupo por gostar de coisas rotuladas como profanas, proibidas e sujas, e todas as outras que o seu pastor disse que não pode. Não me preocupo mais com festas, passeatas, campanhas, marchas pra Jesus, demonstrações de “minha igreja é que é a boa” e pregadores que prometem 10 milagres por m³. Não me preocupo mais com a administração eclesiástica atual, se ela vai sair, se vai continuar, se ela gosta de mim, se ela não gosta, não tenho a mínima vontade de mudar de igreja, afinal se a igreja sou eu, não tem como eu ir a ela ou sair dela e muito menos ser disciplinado ou excluído por ela!

Das poucas coisas que restaram para ocupar minhas preocupações, uma me tem deixado mais intrigado e pensativo: É esse negócio de ser um seguidor de Jesus e fazer o que ele mandou. Depois que eu tomei consciência desse desafio que me impôs o Novo Testamento, todas as outras preocupações se tornaram insignificantes, ou melhor, nem merecem esse nome. “O meu fardo é leve” – disse o mestre. Para mim, não está tão leve assim.

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